Pernambuco tem sido, ao longo das últimas décadas, um dos territórios eleitorais mais fiéis ao projeto político liderado por Lula e pelo PT. Os números falam por si e revelam uma trajetória que atravessa crises políticas e mudanças de cenário nacional.
Desde 2002, Lula ou o candidato por ele apoiado saiu vitorioso no estado. E, diante do histórico, tudo indica que esse padrão pode novamente se repetir.
Em 2002, Lula venceu em PE já no primeiro turno, com 1.657.476 votos, ampliando no segundo para 2.198.673 votos. O resultado ganha ainda mais relevância quando se observa o contexto: o petista enfrentava lideranças fortes no estado, como Jarbas Vasconcelos, Marco Maciel e Sérgio Guerra, que disputavam o governo e o Senado, reduzindo o peso de seu palanque local. Ainda assim, saiu vitorioso.
Em 2006, veio o auge do lulismo. Após quatro anos de governo e com aprovação próxima dos 80%, Lula se reelegeu e obteve em PE expressivos 78,48% dos votos no segundo turno, consolidando uma hegemonia rara.
Já em 2010, mesmo fora da disputa direta, Lula teve papel central na campanha de Dilma Rousseff. O jingle que dizia “Entrego em tuas mãos o meu povo” simbolizou a transferência de capital político. O resultado foi mais uma vitória petista no estado, com quase 3,5 milhões de votos.
A eleição de 2014 marcou a primeira queda relevante do PT em PE desde 2002, em meio a um ambiente nacional de forte antipetismo e polarização. Ainda assim, Dilma venceu no estado com 3.438.165 votos.
Em 2018, com Lula preso e impedido de concorrer, Haddad assumiu a candidatura. Mesmo diante da ascensão de Jair Bolsonaro (PL), Pernambuco manteve sua tradição e garantiu nova vitória ao PT, com 66,50% dos votos no segundo turno.
Em 2022, vinte anos após sua primeira vitória, Lula retornou às urnas e bateu recorde no estado, com 3.640.933 votos (66,93%), a maior quantidade de votos do PT em Pernambuco.
Sem fanatismo ou alinhamento político, os números indicam que é difícil imaginar o PT perdendo uma eleição presidencial em Pernambuco. São 24 anos de domínio nas urnas, um fenômeno eleitoral sólido e profundamente enraizado.
Por: Elvis Oliveira ( @elvisoliveirape )
