Em outubro, o eleitor vai às urnas para escolher o próximo governador, e dois nomes despontam como protagonistas naturais do pleito: João Campos (PSB), prefeito do Recife, e Raquel Lyra (PSD), atual governadora. Há um traço que os une e que torna o embate ainda mais simbólico: até aqui, ambos só conhecem o caminho das vitórias. Em 2026, essa escrita será quebrada. Um deles provará, pela primeira vez, o gosto amargo da derrota.
João Campos entrou na política em 2018. Na estreia, foi eleito deputado federal com expressivos 460.637 votos. Dois anos depois, conquistou a Prefeitura do Recife com 56,27% dos votos. Na reeleição, ampliou de forma avassaladora: 725.721 votos, ou 78,11%, um índice que o consolidou como um dos gestores mais bem avaliados do país. Embora ainda não tenha oficializado a candidatura ao Governo do Estado, lidera pesquisas e se movimenta como quem já está no jogo. Se, por hipótese remota, recuasse, sairia politicamente derrotado antes mesmo da largada.
Do outro lado está Raquel Lyra, cuja trajetória também se construiu sobre vitórias sucessivas. Em 2010, ainda no PSB, foi eleita deputada estadual com 49.610 votos, tornando-se a mulher mais votada daquela eleição. Quatro anos depois, voltou às urnas e ampliou o desempenho, alcançando 80.879 votos. Em Caruaru, seu berço político, venceu a disputa pela prefeitura em 2016 e confirmou a liderança na reeleição, em 2020, ao ampliar a votação para 114.466 eleitores.
O passo seguinte foi o mais ousado: disputar o Governo de Pernambuco. Em 2022, Raquel deixou a prefeitura, enfrentou um segundo turno duro e venceu Marília Arraes, com quase 60% dos votos válidos. Foram 3.113.415 pernambucanos apostando em seu projeto, coroando uma ascensão construída eleição após eleição.
Chega, então, 2026. O encontro é inevitável. Dois projetos fortes, duas trajetórias vitoriosas, duas lideranças que nunca perderam quando testadas pelas urnas. A política, porém, não permite empates. A história cobra seu preço, e ele costuma ser alto.
O gosto da derrota virá. Resta saber quem terá de prová-lo.
Por: Elvis Oliveira ( @elvisoliveirape )
